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AGORA FALO EU
Intervenção de Francisco Salvador na 102fm em 02.09.09
BALANÇO DE QUATRO ANOS DE MANDATO
Agora que se completa o mandato do actual executivo autárquico importa fazer um balanço da sua actividade e dos serviços por ele prestados à população do Concelho de Peniche.
Há quatro anos corria uma forte vontade de mudança que se concretizou com a eleição de um renovado elenco governativo de que muito se esperava.
Ansiava-se por muito e as expectativas eram muito elevadas, mas passados estes anos fica-nos um sabor amargo a pouco, uma sensação de vazio.
Tem-se vindo a revelar um enorme e crescente atraso deste nosso Concelho quando em comparação como os municípios vizinhos das Caldas da Rainha, Óbidos e Lourinhã.
Sem dúvida, houve alguns aspectos positivos nomeadamente, uma maior aproximação dos autarcas aos cidadãos. De facto, presidente e a sua sombra (o vice-presidente) não perdem uma festa, um almoço, encontros e manifestações de todas as ordens.
Igualmente foram realizadas algumas manifestações de índole cultural interessantes, tais com exposições e outras acções.
Concretizaram-se as importantes obras do Parque da Cidade e do Campo da República, obras que haviam sido planeadas e encetadas pelo anterior executivo.
Realizaram-se algumas obras de valor inquestionável, mas sem efeitos multiplicadores de desenvolvimento, como foram os casos dos arranjos em algumas escolas e cemitérios.
O resto foi festas e festinhas, ondas e mais ondas, marketing e mais cosmética promocional.
Foi pouco, muito pouco para as urgentes necessidades de progresso que o Concelho de Peniche necessita.
Em contrapartida os aspectos negativos foram inúmeros e demasiado pesados para um Município como o de Peniche.
Só para enumerar alguns, e sem falar do caos do transito e estacionamento na cidade e juntos às principais praias do Concelho, ou da autêntica praga das gaivotas com as quais se gastaram milhares de euros sem qualquer efeito prático, podemos acusar este executivo de muitas faltas e omissões.
Não houve um único plano de ordenamento do território concluído, nomeadamente o PUB (Plano de Urbanização do Baleal) peças fundamentais para o correcto desenvolvimento e progresso urbano de todo o Concelho.
O fracasso total do novo modelo dos Sabores do Mar com custos elevadíssimos, de que aliás o presidente nunca prestou contas.
Uma péssima gestão económica, autêntico descalabro financeiro, que elevou a divida da Câmara a fornecedores e à banca a valores nunca antes atingidos.
Consecutivas trapalhadas administrativas a que, quem como eu acompanha a vida autárquica de Peniche à mais de trinta anos, nunca tinha assistido, como foram os casos dos desastrosos processos de concursos de pessoal e dos procedimentos nulos de aquisição de bens,ou os concursos de atribuição de concessões irregulares e contestados por todos os intervenientes, ou os protocolos assinados sem as competentes aprovações camarárias, ou ainda, as atribuição de subsídios para obras sem os necessários vistos do Tribunal de Contas, o que as tornaram nulas e ilegais, ou as decisões precipitadas e sem dialogo com os restantes vereadores, (como foi o confuso e incompleto processo de candidatura ao programa Prohabita), ou os dossiers pessimamente geridos, como foram o caso do Hospital de Peniche, ou as queixas de munícipes relativas a canil ilegal, má construção de casas de habitação ou a ruídos de estabelecimentos, etc, etc, etc, ou finalmente o estranho caso das obras feitas e desfeitas num só mandato. Como ignorar o muito dinheiro gasto com o meteórico e efémero campo do Gaivotas Sport Clube ou do terreiro do mercado mensal e festa de Nª Srª da Boa Viagem que em breve irá ser desmantelado?
E, para quem se anunciou como uma equipa de trabalho (recordemos o sugestivo slogan “Somos Uma Equipa”), o que pensar do bruto saneamento do Dr. Delfim e consequente saída do Dr. Almiro só explicado pelos interesses particulares de quem num “arreda para lá” quis ganhar lugar sem ter sido eleito?
Enfim, como balanço só podemos considerar esta gestão deste executivo como a pior de todas desde o 25 de Abril.
Concluindo: nunca tantos fizeram tão pouco, e tão mal, em tão curto espaço de tempo.
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